Skip to content

Comunidade

Com uma população atualmente superior a vinte mil habitantes, distribuída numa extensão de aproximadamente 660 ha., o Alto do Mateus pode ser classificado como um bairro pouco adensado demograficamente. Atualmente, o bairro limita-se através de suas fronteiras naturais ao norte e oeste com o município de Bayeux, onde o Rio Sanhauá contorna os dois municípios; ao sul, se limita com o bairro dos Novais e ao leste com a Ilha do Bispo.

Remetendo o histórico do bairro, a beira da linha é considerada primeira aglomeração habitacional a partir da qual se constituiu o Alto do Mateus. Situada às margens de um trecho da linha férrea pertencente à Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), no vale do Rio Sanhauá, no limite dos Municípios de João Pessoa e Bayeux, a beira da linha com suas casas “amiudadas e espremidas” entre o mangue e a linha férrea, edificada em 1881, para ligar a cidade de João Pessoa ao interior do Estado, se deixa flagrar pelo olhar atento dos passantes como um lugar esquecido no tempo. Uma ruga da contradição do crescimento desigual urbano da cidade de João Pessoa, que a história teima em recriar.

Segundo Ana Gusmão (2003), os primeiros habitantes da Beira da Linha chegaram ao local por volta de 1957, para trabalhar nas obras de recuperação da rede ferroviária. Estes trabalhadores migrantes do interior da Paraíba foram ocupando o aterro do mangue e edificando suas casas de taipa, à beira da linha do trem, motivo pelo qual o aglomerado foi sendo chamado de Beira da Linha.

Conforme relatam os moradores locais mais idosos (Brito, 2006), a principal atividade econômica que sustentou a beira da linha ao longo das duas primeiras décadas de sua expansão foi a exploração dos recursos naturais provenientes do mangue, destacando-se a atividade pesqueira artesanal para consumo alimentício e a coleta de caranguejos. Atividades que foram comprometidas, com o passar dos anos, devido ao aumento da poluição provocada pelo excesso de resíduos líquidos e sólidos jogados no rio.

O povoamento da parte mais elevada do Alto do Mateus ocorreu a partir da década de 60 do século passado, quando, segundo Silva (2002), o sítio de propriedade do Sr. Mateus Ribeiro, nome que inspirou a denominação do bairro, foi submetido ao processo de parcelamento pelo seu filho e herdeiro. Na ocasião, o povoado ainda estava vinculado ao território da Ilha do Bispo. Também é registrado deste período a instalação dos primeiros equipamentos públicos do bairro, como poste para rede elétrica de alta tensão, a construção de um posto médico e uma escola pública. Porém, a pesquisadora observa que os serviços de abastecimento d´água, na época, ainda permaneciam minguados, sendo feito por meio de carros-pipa e as condições de saneamento básico inexistiam, colocando em risco a saúde dos moradores.

Durante a década de 70, a população do bairro cresceu devido ao processo de migração do interior do Estado da Paraíba para a capital, constituindo-se num dos bairros caracterizados como “populares” da cidade de João Pessoa. Processo que, se não está intimamente articulado, mas indiscutivelmente coincide com o fenômeno de expansão da malha urbana da cidade, nessa época.

Segundo a Professora de Geografia Doralice Maia (2001), a partir da implantação do distrito industrial de João Pessoa nos anos 60, dos investimentos em infra-estrutura e dos incentivos fiscais, concedidos através da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), a malha urbana da cidade cresceu exorbitantemente nos anos 70, chegando a alcançar 160% em relação à área urbana da década anterior.

O fenômeno de crescimento da malha urbana ocorrido durante a década de setenta, estimulou o crescimento desordenado e em condições de precariedade, que permaneceu em ritmo de aceleração ao longo da década, provocando problemas de natureza sanitária na população. Uma reportagem do Jornal o Norte de 26 de agosto de 1971 relatando alguns serviços prestados pelo Exército nos dias 24 e 25 do mesmo mês e transcrita por Silva (2002), nos dá uma idéia das condições de higiene que a população vivia. Segundo a reportagem, exames médicos parasitológicos, realizados em 1.150 pessoas habitantes do bairro, constataram que 99% dos pacientes apresentaram a presença de parasitas.

A partir da década de 70, o povoado ganha status de bairro, contribuindo para o feito a oficialização do primeiro loteamento da área, conforme publicação do Diário Oficial do Estado da Paraíba, decreto nº 448 de 14 de junho de 1973.

Em 1978, por meio de financiamentos gerenciados pela Companhia Estadual de Habitação Popular (CEHAP), foi construído o conjunto Ivan Bichara[1], até o presente maior conjunto habitacional do bairro. A coincidência histórica do fato nos faz deduzir que tal benefício estava vinculado ao processo de formação e crescimento da cidade de João Pessoa, e, portanto, conforme analisa Maia (2001), fazia parte de uma política nacional de habitação viabilizada com fundos do Banco Nacional de Habitação, programa do Governo Federal.

No decorrer da década de 80, segundo Silva (2002), outros conjuntos habitacionais foram construídos no bairro, a exemplo do conjunto IPEP e Santa Terezinha, além do loteamento Clerot, Loteamento Juracy Palhando e o loteamento Brasil, dando prosseguimento à política habitacional do governo. No início dos anos 90, é acrescido o núcleo habitacional São Judas Tadeu, o conjunto 5 de junho e o Jardim da Mônica, originados de processo de ocupação, exceto o último, construído por meio de loteamento. Até o início da década de noventa a maioria das residências do Alto do Mateus estava edificada a partir de conjuntos habitacionais financiados com recursos de programas de moradias procedentes do poder público, fato que influenciou significativamente a configuração da condição de moradia no bairro. Naturalmente que o crescimento dos filhos dos moradores do bairro e com a chegada de novos habitantes, surgiu a necessidade de fazer ampliações, reformas e construir novas residências que vão reconfigurando o bairro. De igual forma, foram sendo introduzidos novos equipamentos urbanos na área de serviço, comércio, saúde, educação e transporte que estabelece a idéia de permanente reconstrução espacial do Alto do Mateus.

 

Por: José Benedito de Brito

Fontes de Pesquisa:

BRITO, José Benedito de. A (RE)PRODUÇÃO ESPACIAL DA INFÂNCIA NO ALTO DO MATEUS JOÃO PESSOA - PB: O trabalho doméstico e a reinvenção do lúdico. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Geografia, UFPB, 2007 GUSMÃO, Ana Duarte de. PROJETO BEIRA DA LINHA: Ação Social e Educativa na Afirmação dos direitos e Cidadania da Criança e do Adolescente – João Pessoa – PB. Dissertação de mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação, UFPB, 2003. MAIA, Doralice Sátyro. Notas sobre a urbanização da cidade de João Pessoa: do processo e do seu reverso. In: Revista Paraibana de Geografia, Volume III Nº 1 Julho de 2001, João Pessoa, Laboratório de Ensino e Pesquisa em Análise Espacial – LEPAN (DGEOC / CCEN), UFPB, 2001. SILVA, Márcia Viana da. Qualidade da água e saúde: Um estudo com a população do Bairro Alto do Mateus João Pessoa - PB. 2002. 115p.:il. Dissertação (Mestrado), UFPB/PRODEMA, João Pessoa, 2002.

Faça uma Visita

miramangue old

Seja um Parceiro

maozinhas

Aprendizagem Profissional

aprendizagem

Pia Sociedade de Pe. Nicola Mazza

Projeto Beira da Linha
Associação de direito privado sem fim lucrativo de natureza cultural